Unico amplia confiança digital com validação de identidade além da biometria

Unico mira ampliar a confiança nas relações digitais no Brasil e vem reposicionando sua atuação muito além da biometria facial. A empresa quer ser percebida como uma camada de credibilidade presente em diversos momentos da jornada online do usuário, em múltiplos setores da economia. A ideia central é simples: garantir que, do outro lado da tela, exista de fato a pessoa que afirma estar ali, reduzindo fraudes sem criar atritos desnecessários para quem usa os serviços.

De acordo com Joelson Vellozo Júnior, diretor de políticas públicas da companhia, a tecnologia da Unico já está integrada a bancos, grandes varejistas, plataformas de apostas, e-commerces e a outros ambientes em que a verificação de identidade se tornou requisito básico para operar. Em vez de se enxergar como uma “empresa de biometria” no sentido tradicional, a organização busca consolidar uma proposta mais completa de validação, combinando informações de contexto e análise de risco com mecanismos de autenticação mais fortes, acionados apenas quando necessário.

Na prática, o processo pode envolver desde checagens silenciosas – baseadas, por exemplo, em variáveis de comportamento, dispositivo, horário de acesso e padrões de navegação – até a utilização de biometria facial e testes avançados de prova de vida em situações de maior risco. O objetivo é calibrar o nível de segurança ao tipo de operação, evitando tanto brechas para fraudadores quanto exigências excessivas para usuários legítimos.

Esse modelo ganhou força porque a empresa atua de forma transversal em diferentes mercados da economia digital. Segundo Joelson, essa presença ampla permite que tentativas de fraude sejam detectadas de maneira mais abrangente, criando o que ele descreve como uma “rede de validação de identidade”. Com isso, uma tentativa frustrada de golpe em um ambiente pode servir de alerta para outros participantes conectados ao mesmo ecossistema, dificultando a repetição do ataque em outro serviço.

Os números apresentados pela empresa ilustram a escala dessa operação. Em apenas um ano, foram realizadas mais de 1,5 bilhão de verificações de identidade, ajudando a evitar perdas estimadas em mais de R$ 23 bilhões em fraudes. A Unico afirma estar presente em cinco dos maiores bancos privados do país, em nove dos dez maiores varejistas brasileiros e já mantém operações em mais de 20 países, o que reforça sua estratégia de atuar como infraestrutura de confiança digital em nível global.

Um dos eixos mais sensíveis desse debate é a proteção de crianças e adolescentes no ambiente online, tema que vem sendo discutido no contexto do chamado “ECA Digital”. A Unico acompanha essas discussões há mais de um ano e procura contribuir em uma frente específica: a verificação de maioridade em situações consideradas de alto risco. Isso inclui plataformas de conteúdo adulto, sites e aplicativos de apostas, venda online de bebidas alcoólicas, cigarros e armas, além de mecanismos de compra em jogos, como as loot boxes.

De forma intencional, o modelo proposto não repassa à plataforma informações que permitam identificar a pessoa ou determinar a sua idade exata. O sistema retorna apenas um sinal objetivo que responde, em essência, à pergunta: “há um adulto apto a acessar este serviço ou produto?”. Com isso, o provedor do serviço não sabe quem é o indivíduo validado, e a Unico, por sua vez, não toma conhecimento do tipo de conteúdo acessado nem do comportamento posterior de navegação daquele usuário.

Esse desenho é apresentado pela empresa como uma forma de aplicar princípios de minimização de dados, proporcionalidade e limitação de compartilhamento de informações. Em outras palavras, cada parte tem acesso apenas ao estritamente necessário para cumprir sua função: a plataforma sabe se pode ou não liberar o acesso, e a solução de identidade fica restrita à tarefa de validar a existência de um adulto, sem ampliar o escopo de vigilância ou monitoramento.

A preocupação com a privacidade é ainda maior em cenários que envolvem menores de idade. De acordo com Joelson, quando o sistema conclui que não há um adulto do outro lado da verificação, a resposta enviada à plataforma é simplesmente negativa, sem transmissão de qualquer dado complementar. Nessas hipóteses, registros biométricos temporariamente coletados para executar a validação são apagados imediatamente, sem formação de base duradoura ou reuso para outros propósitos.

Esse tipo de arquitetura é apresentado como uma alternativa menos invasiva se comparada a práticas comuns no mercado, como o envio da foto de um documento completo para comprovar a idade. Fotografar um documento, em geral, expõe um conjunto de informações sensíveis – número de registro, filiação, endereço, entre outras – que não têm qualquer relação com a finalidade específica de verificar se a pessoa é maior de 18 anos. Ao limitar o dado à informação de maioridade, a empresa busca reduzir a superfície de exposição em eventuais incidentes.

Do ponto de vista tecnológico, a Unico enfatiza a robustez dos mecanismos que utiliza. A biometria facial da companhia analisa centenas de pontos do rosto, o que aumenta a precisão no reconhecimento da pessoa e dificulta tentativas de fraude com fotos impressas, vídeos reproduzidos em tela ou máscaras hiper-realistas. Já a tecnologia de prova de vida combina análise de profundidade, textura da pele, variação de luz, microexpressões e outros sinais que ajudam a confirmar se há, de fato, um rosto humano vivo interagindo com a câmera naquele momento.

Annamaria Chizzotti Bonanomi, que também participou da entrevista, complementou explicando que as soluções da empresa passam por certificações e avaliações conduzidas por institutos independentes. Esses testes têm dois objetivos centrais: medir a resistência das tecnologias a diferentes tipos de fraude e avaliar a taxa de erro com usuários legítimos, buscando reduzir falsos negativos (quando um usuário verdadeiro é barrado) e falsos positivos (quando um impostor passa despercebido).

Outro ponto levantado foi o uso dessa infraestrutura de identidade em serviços públicos digitais. Muitos cidadãos enfrentam dificuldades para concluir processos de autenticação em plataformas governamentais, como o acesso a serviços previdenciários ou a sistemas de benefícios. Segundo Joelson, o setor privado já dispõe de tecnologias maduras capazes de tornar essas jornadas mais simples e seguras, e a empresa vem buscando se aproximar do governo federal para contribuir com soluções que reduzam filas, burocracias e fraudes no uso de recursos públicos.

Ao ampliar essa cooperação, a expectativa é que o usuário possa ter uma experiência mais uniforme: a mesma identidade digital que ele utiliza para abrir uma conta em um banco ou fazer uma compra no varejo poderia, com os devidos critérios regulatórios, ser reconhecida em portais governamentais. Isso tende a diminuir cadastros redundantes, reduzir custos e acelerar o acesso a direitos e serviços, sem abrir mão da proteção de dados pessoais.

A discussão em torno da confiança digital também passa por educação do usuário. Por mais sofisticados que sejam os mecanismos de autenticação, golpistas continuam explorando engenharia social, mensagens enganosas e sites falsos para convencer pessoas a entregar suas credenciais. Nesse sentido, empresas que atuam com identidade digital têm buscado não apenas aprimorar suas tecnologias, mas também apoiar iniciativas de conscientização sobre boas práticas de segurança, como desconfiar de links recebidos por mensagens, evitar compartilhar códigos de autenticação e manter sistemas e aplicativos sempre atualizados.

Outro desafio é equilibrar inclusão e segurança. Em um país com grandes desigualdades, parte da população ainda enfrenta limitações de acesso a dispositivos modernos, conexões de qualidade e documentos em dia. Sistemas biométricos precisam considerar diversidade de traços, condições de iluminação precárias e câmeras de baixa resolução, sob pena de excluir justamente quem mais precisa de serviços digitais. Por isso, testes com bases diversas e ajustes finos nos algoritmos tornam‑se essenciais para evitar vieses e garantir que a tecnologia funcione bem em contextos reais.

Do ponto de vista regulatório, o avanço de soluções de verificação de identidade precisa dialogar com leis de proteção de dados e com novas normas voltadas ao ambiente online. No Brasil, a discussão sobre o “ECA Digital” se soma a debates sobre moderação de conteúdo, responsabilidade de plataformas e definição de deveres na proteção de grupos vulneráveis. Modelos baseados em minimização de dados, como o defendido pela Unico, tendem a ganhar relevância nesse cenário, justamente por buscarem uma resposta técnica a problemas complexos de segurança e privacidade.

À medida que mais setores da economia se digitalizam, cresce a percepção de que a identidade confiável é um componente de infraestrutura, tão importante quanto meios de pagamento ou redes de telecomunicações. Empresas que conseguem estabelecer esse elo de confiança entre pessoas, organizações e poder público acabam influenciando diretamente a forma como o brasileiro acessa crédito, consome, trabalha, estuda e interage no ambiente digital.

Nesse contexto, a aposta em validação de identidade com foco em privacidade e proteção de menores não é apenas uma resposta a demandas regulatórias, mas também um movimento estratégico. Ao tentar conciliar segurança, experiência do usuário e respeito aos dados pessoais, a Unico busca se posicionar como parceira central na construção de um ecossistema digital mais seguro, inclusivo e preparado para os desafios dos próximos anos.