Evento online gratuito reúne especialistas para expor ameaça dos golpes multicanais
Os golpes digitais ficaram mais sofisticados e deixaram de depender de um único canal de comunicação. Hoje, criminosos combinam e-mails, mensagens em aplicativos, ligações telefônicas, redes sociais e até contatos físicos para construir narrativas muito mais convincentes. Esse modelo de fraude, conhecido como golpes omnichannel ou multicanais, será o foco da 3ª edição do Painel Eskive sobre cibercrime, um evento online e gratuito voltado a profissionais e empresas que desejam entender e enfrentar essa nova realidade.
Se antes bastava desconfiar de um e-mail com link suspeito ou de um SMS alarmista, agora o usuário precisa lidar com golpes que se desdobram em sequência: uma mensagem por aplicativo, seguida de uma ligação “de confirmação”, reforçada por um e-mail com aparência legítima, tudo cuidadosamente orquestrado. Essa integração de canais aumenta a sensação de credibilidade e reduz a percepção de risco da vítima, que passa a acreditar que está em contato com uma instituição verdadeira.
Para discutir em profundidade esse novo modus operandi, a Eskive, empresa brasileira especializada em gestão de risco humano, organiza o 3º Painel Eskive | Cibercrime e os Golpes Omnichannel. A proposta do encontro é jogar luz sobre essas táticas, apresentar exemplos reais e oferecer orientações práticas para que empresas e profissionais consigam se antecipar aos criminosos.
Na terceira edição do painel, totalmente online e sem custo para os participantes, especialistas em segurança da informação e combate a crimes cibernéticos se reúnem para compartilhar experiências, dados inéditos e aprendizados coletados em campo. A ideia é transformar o evento em um espaço de troca qualificada, no qual executivos de diferentes áreas possam entender como os golpes multicanais operam e o que precisa mudar na cultura interna de suas organizações.
A mediação ficará a cargo de Priscila Meyer, CEO da Eskive e especialista em gestão do risco humano. Ela conduzirá a conversa com dois convidados de peso: Thiago Bordini, profissional com mais de duas décadas de atuação em cyber threat intelligence, e Elias Edenis, investigador de cibercrimes na Polícia Civil de Santa Catarina e professor na ACADEPOL/SC. Essa combinação de visão técnica, operacional e educacional promete um debate equilibrado, que conecta o mundo corporativo à realidade das investigações policiais.
Assim como nas edições anteriores, o público não será apenas espectador. Os participantes poderão enviar perguntas em tempo real para os painelistas, que serão respondidas ao vivo, além de participar de quizzes interativos. Esse formato dinâmico ajuda a testar o nível de conhecimento dos presentes e a evidenciar, na prática, como a engenharia social ainda explora brechas de comportamento e percepção.
Para Meyer, trazer o tema dos golpes omnichannel para o centro da discussão de conscientização em cibersegurança é uma urgência. Segundo ela, boa parte dos usuários foi treinada para reagir a um único tipo de abordagem suspeita por vez – um e-mail estranho, uma ligação fora de contexto, uma mensagem com tom ameaçador. Porém, quando essas interações são combinadas em sequência, com uma história coerente entre os diferentes canais, a barreira de desconfiança cai rapidamente.
A executiva destaca ainda que a Eskive vem realizando simulações de ataques com clientes reais, utilizando cenários multicanais, e os resultados comprovam o poder de persuasão desse tipo de fraude. As vítimas tendem a confiar mais quando o contato é “confirmado” por outro canal – por exemplo, um e-mail que valida uma ligação recebida anteriormente – o que torna o golpe altamente eficiente em manipular o comportamento e induzir ações arriscadas, como informar dados sensíveis ou autorizar transações financeiras.
O 3º Painel Eskive | Cibercrime e os Golpes Omnichannel está programado para o dia 18 de agosto, às 11h, em formato totalmente digital. A transmissão ao vivo permitirá que profissionais de qualquer região acompanhem o conteúdo, se atualizem sobre as principais tendências em fraudes digitais e levem insights práticos para aplicar em suas rotinas e em seus programas internos de segurança.
Além de apresentar o problema, o painel pretende aprofundar estratégias de prevenção voltadas para o fator humano, considerado hoje um dos principais elos de vulnerabilidade nas organizações. Entre os tópicos que tendem a ser discutidos, estão: como estruturar programas de conscientização contínuos, de forma que colaboradores reconheçam sinais de fraude em diferentes canais; como reduzir a impulsividade na tomada de decisão; e como criar fluxos internos claros para validação de pedidos sensíveis, mesmo diante de aparentes “urgências”.
Um ponto central que deve emergir do debate é a necessidade de abandonar a visão simplista de que basta “não clicar em links estranhos”. Nos golpes omnichannel, a engenharia social é trabalhada em camadas: primeiro o criminoso ganha a confiança da vítima, depois coleta dados aos poucos e apenas então aplica o golpe final. Isso exige das empresas um modelo de treinamento mais realista, baseado em cenários, simulações e exercícios que imitem como os ataques acontecem no dia a dia.
Outro aspecto relevante é o papel das lideranças na criação de uma cultura de segurança. Quando diretores, gerentes e coordenadores reforçam internamente que qualquer solicitação fora do padrão pode e deve ser questionada – mesmo que pareça vir de alguém “importante” – a organização reduz significativamente a eficácia de golpes que se aproveitam de hierarquia, medo e pressa. O evento deve trazer exemplos práticos de políticas internas simples que ajudam a barrar esse tipo de fraude, como duplas validações para transações críticas e canais oficiais para confirmação de pedidos atípicos.
Os participantes também poderão compreender melhor a visão das forças de segurança sobre a evolução dos cibercrimes. A presença de um investigador da Polícia Civil enriquece o debate ao conectar os golpes do cotidiano corporativo à esfera criminal, mostrando como esses ataques são estruturados por quadrilhas organizadas, como se dá a coleta de provas e quais são os desafios para responsabilizar os criminosos em um cenário de fronteiras digitais fluidas.
Além disso, a discussão sobre golpes multicanais dialoga diretamente com o crescimento do trabalho remoto e híbrido. Com colaboradores se conectando de diferentes locais, dispositivos e redes, a fronteira entre o que é pessoal e o que é corporativo ficou ainda mais nebulosa. Criminosos exploram esse contexto para combinar abordagens que começam em perfis pessoais, migram para e-mails de trabalho e terminam em ações que impactam diretamente os ativos da empresa. O painel deve abordar formas de minimizar riscos nesse ambiente distribuído.
Outro tema que tende a ganhar espaço é o uso de tecnologias emergentes, como inteligência artificial, tanto por criminosos quanto por defensores. Enquanto golpistas já começam a usar IA para criar mensagens mais personalizadas, simular vozes e automatizar contatos em massa, empresas e especialistas buscam empregar as mesmas ferramentas para detectar padrões suspeitos, identificar comportamentos anômalos e reforçar seus sistemas de monitoramento. Entender essa corrida tecnológica é fundamental para quem quer se manter à frente.
Participar de um evento com esse foco permite que executivos de segurança, RH, compliance, jurídico e liderança em geral alinhem sua visão sobre riscos humanos e fraudes. Em muitos casos, as áreas ainda trabalham de forma desconectada: TI cuida da parte técnica, enquanto RH fala de cultura e comportamento. Os golpes omnichannel, porém, cruzam essas fronteiras, o que exige uma atuação integrada. O painel tende a inspirar ações conjuntas e planos de resposta mais coordenados dentro das empresas.
Por fim, a discussão sobre fraudes multicanais reforça uma mensagem essencial: não existe solução única, nem tecnologia isolada capaz de resolver o problema. Firewalls, antivírus e sistemas avançados são fundamentais, mas não substituem o olhar crítico e o preparo das pessoas que interagem diariamente com e-mails, mensagens e ligações. Eventos como o Painel Eskive ajudam justamente a preencher essa lacuna, traduzindo a linguagem técnica em orientações simples, diretas e aplicáveis na rotina de qualquer profissional, independentemente da área de atuação.
